Uma sociedade sem espetáculo

O espetáculo é o caminho que Debord (La société du spectacle - 1967) tomou para explicar a sociedade que se estabeleceu nos meados do século passado. Uma explicação convincente para um momento que a mídia de massa nadava de braçada e pautava os corações e mentes das pessoas comuns. Andy Warhol (1960) preconizava os 15 minutos de fama como o anseio da sociedade.

Isso faz tempo. As "estrepolias" do espetáculo funcionam como sequela da midiatização das relações humanas. Guy Debord dizia que a teoria revolucionária era inimiga de toda a ideologia revolucionária. Mas de que teoria revolucionária estamos falando? De que ideologia? E principalmente de que sociedade?

Entra a Internet. Redes sociais estão contempladas na linkania. As pessoas se multiplicam nas relações. Sem formatos óbvios. As redes são descentralizadas, ora distribuídas, algumas vezes, hierárquicas, outras vezes, nos apontam para aglomerados, power laws e ubiquidade. As redes não podem ser conteinerizadas numa coisa ou outra. Segundo Latour (2005) rede é uma metáfora para explicar um movimento, uma impermanência. Encontrar padrões estabelecidos é o mesmo que tirar uma foto. Ela fica no passado. Por isso, usamos o exemplo do rizoma de Deleuze (1995), que não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio. Esse rizoma se regenera continuamente por suas interações e transformações. A revolução se faz permanente.

Partindo de Canetti (1995), entendemos que a massa demanda por uma descarga. Percebemos que a sociedade da colaboração não pressupõe projetos em que as pessoas se engajam ad eternum: As coisas são dinâmicas e as colaborações têm efeitos dinâmicos. Uma multidão invisível posto que se movimenta e se reagrupa em espaços multiplicados conectados. Ele vê forças de resistência e transformação nesta nova dinâmica cultural. A rede modifica conceitos, provoca alterações da metafísica padrão. Não é possível pensar em tempo e espaço da mesma forma. O tempo é assincrônico e o espaço é a conexão.

Logo, nos resta pensar na ideologia revolucionária. Ou ideologias... respeitando as multiplicidades das possibilidades que se abrem quando pensamos em redes. No entanto, na quentura dos midiáticos tende-se a pensar nas redes como mídias, mídias sociais. E a partir daí se repensa o espetáculo como um discurso sobre o que já foi dito e observado.

As mídias sociais não explicam as relações em rede, não explicam a linkania. Pensar na mídia é voltar ao século passado no qual massas passivas se colocavam a mercê do discurso de grandes corporações comunicativas. Para ter o seu discurso apresentado, o cidadão deveria invadir um espaço poderoso (se tornar um linkadão!), cerceado por barreiras sociais e políticas. A Internet rompe com esse padrão da mídiático. Internet é mais que mídia. A midiatização das redes vem a reboque das redes sociais e por isso estão a posteriori das interações conversacionais. Creio que temos que separar as máquinas conversacionais da midiatização. Somos pessoas que conversam com pessoas. A camada midiática não cabe no cotidiano on-line contemporâneo. O espetáculo deve ser repensado.

Bom esse... bem bom. Bem didático tb. Ser ...

Bom esse... bem bom. Bem didático tb. Ser didático ajuda todo mundo a acompanhar a lógica do seu pensamento.
Boa essa discussão da mídia tb... o que estamos chamando por mídia? Discussão que deixou vontade de mais...

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