Multitude em Spinoza
Tal é então o fim para qual eu tendo, a saber, adquirir uma natureza assim superior, e esforçar-me para que muitos outros a adquiram comigo. Com efeito, isso também pertence à minha felicidade: aplicar-me para que muitos outros compreendam o que compreendo, a fim de que seu entendimento e seus desejos concordem perfeitamente com meu entendimento e meus desejos. Para que isso se faça, é preciso ter na Natureza conhecimento suficiente para a aquisição dessa natureza humana superior; depois é precciso formar uma sociedade tal como ela deve ser, a fim de que o maior número possível de homens cheguem , tão fácil e seguramente quanto possível, a esse objetivo. Em seguida, deve-se dedicar os esforços a uma filosofia moral, assim como à ciência da educação das crianças; e como a saúde é um meio importante para a consecução desse fim, será preciso elaborar uma medicina completa. E como muitas coisas difíceis tornam-ser fáceis através da arte, e que esta nos faz ganhar muito tempo e comodidade na vida, não se deixará de lado absolutamente a mecânica. Mas antes de tudo será preciso encontrar um meio de curar o entendimento e de purificá-lo tanto quanto se puder no início do empreendimento, a fim de que ele compreenda as coisas facilmente, sem erro, e o melhor possível. Donde já se pode ver que quero dirigir todas as ciências para um único objetivo e um único fim, a saber, o de chegar a essa suprema perfeição humana de que falamos; assim, tudo aquilo que, nas ciências, não nos faz avançar em direção ao nosso objetivo deverá ser rejeitado como inútil; ou seja, em uma palavra, que todas as nossas ações assim como todos os nossos pensamentos deverão estar voltados para esse fim.
-- Spinoza, Tractatus de Intellectus Emendatione, em Anomalia Selvage, A. Negri, pg 63,64










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