Homem - máquina - remix
Flusser tem uma visão da tecnologia como suporte; Ele reproduz a idéia de prótese. A tecnologia cola no homem. Ele diz que as fábricas são lugares onde sempre são produzidas novas formas de homens: primeiro, o homem-mão, depois o homem-ferramenta, em seguida, o homem-máquina e, finalmente, o homem-aparelhos-eletrônicos. Repetindo: essa é a história da humanidade. A máquina distende a mão do homem ao ponto do homem se tornar a máquina, ou a máquina se torna o homem. Oras, tanto faz. Somos homem_computadores, homem_celulares, homem_agendas_eletrônicas... somos homens.
Na verdade, nossa experiência no MetaReciclagem faz um link importante com esse pensamento. Pois, o limite da apropriação tecnológica, numa abordagem mais conceitual, é a constatação de que o desafio de lidar com a máquina é ser a máquina. Brincamos com os games, desafiamos os limites como se fôssemos os heróis. Programadores tem como objetivo apenas criar um percurso rítmico para as mentes em ação.
O desafio está em se valer da máquina para se constituir como homem. O código é a interface do homem com a sua máquina - prótese. Flusser chama de caixa preta. Quebrar e decifrar os protocolos que controlam o sistema nos aproximam da condição pós humana. A sociedade se torna, então, refém de um sistema homem_máquina_protocolo.
A promessa da Internet é o retorno da voz. Esse retorno se dá pela apropriação da tecnologia e pelas inúmeras possibilidades de usar o sistema homem_máquina_protocolo em benefício do sujeito e da comunidade. O caminho do controle é o mesmo do que aquele proposto pela liberdade. Temos, então, que mudar a abordagem, ou olhar de viés.
Este é o paradoxo. Explorar nas contradições do sistema. Pois, pela necessidade de enfrentar a escassez do capitalismo, o sistema procura aumentar a velocidade e a eficiência das suas relações, ou melhor, os bancos precisam cada vez mais da rede para sobreviver, assim como, os conglomerados de comunicação. Esse sistema é paradoxal e provoca a sua própria contradição. Cria espaço para catalisar a liberdade.
Por outro lado, temos uma multidão que se alimenta destas contradições e, que encontra na rede um ambiente propício para expressar a sua potência. A multidão hiperconectada só se faz possível quando a apropriação tecnológica possibilita o compartilhamento de interesse comuns. As pessoas se aproximam. Criam e recriam comununidades. As pessoas se juntam, estão linkadas pela ação comum. Esse é o desvio.










Comentários
peguei a filosofia da caixa preta num sebo de ubatuba a sete real. tô dando uma passada de olhos, mas já me bateu que a idéia toda do código livre e da gambiarragem de objetos tecnológicos pode requerer uma certa atualização dessas coisas do flusser. talvez pensar em tonalidades de cinza: a caixa preta que pode ser aberta e reprogramada. até volta a se tornar caixa preta, mas esse estado não é estável.
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